terça-feira, dezembro 26, 2006

Blues de um esquecido

A voz
foice fogueira de nós
tropeços entre as calçadas, algoz

E passeio entre os armados de concreto
Evasivo no lamento discreto
Na companhia atroz
da virtuosa ilusão solidária
da literária pulsação
Falta de vida diária
do porto de lágrimas sonoras
minhas desilusões solitárias

e visito minhas ânsias de outrora
nada me toma
de certo a aurora
E entre os passos do passeio
retorno...
Remonto as indagações do esteio
Do garoto que se foi nas paixões

A porta de casa é sempre ânsia de retorno
nunca mais janela para o novo
Quem matou a paixão do menino-homem que fui?
(da mulher menina que não me inclui)

Me revisito
nas esquinas que não grito
empobrecido do gemido
que a vida tirou do meu peito.

Que faço com a sobrevida que criei?
Esqueci de viver...