quinta-feira, novembro 23, 2006

Foto: Hélio Machado

Desabafo

Às vezes fico impressionado com minha capacidade de ser cruel. Como um ser humanos que carrega tanta poesia nas veias pode ser tão maldoso e ainda sentir-se orgulhoso de si por ter tal alternativa? Parece que toda a sutileza pode sumir para um impulso fervoroso de calma calculista e destrutiva ou de explosão de cólera. Chego a me questionar se minha gentileza que às vezes sobressai de forma tão natural, não é apenas capa ou cena para algo.

Não importa! Existem certos ponto que, se tocados, tudo o que antes era belo e tranqüilo acorda nas brumas do esquecimento atropelado pela fúria irradiadora. Não sei como responder. Acontece, apenas acontece. Quando vejo, já fiz! Tenho de lidar com a culpa por o ter feito. Quantos vasos quebrei, não consigo enumerar. Mas posso sentir o peso de cada olhar que feri. E feri mesmo! Com vontade. Me arrependo, mas também entendo bem porque fiz...

Na verdade, quero crer que tudo é fruto de minha situação enferma momentânea. Ou na verdade não quero ver que esta situação passageira só trouxe à tona o que perpétuo repousava em mim. Não sei. Não quero ser qualquer, mas acabo sendo quando. Não sei se preciso repensar minha vida toda, ou deixar passar a tempesdade toda.

Que a força me ilumine...