quarta-feira, abril 02, 2008

Hoje é quase sobre a Arte.

É o que manifesta a distância, o que nos faz em longínquas latitudes de divergência: a Arte. Ela que se tornou a edificação da direção oposta que minha vida toma em relação às decisões que ele tomou. Minha sensibilidade, embora pareça à sua vista dantesca e grotesca, encontrou casa na arte. A tensão entre dor e amor que ele insistiu em me provar ser mínima, permanece ante meus certos e errados, cada qual em seu lugar.

Não sou matéria objeto de minhas frustrações, não sou dejeto das desilusões. Não, não sou, e a arte me serve de recanto. Se hoje é sobre ela, falo dela. Quanto mais marcas me faz a vida, mais linguagens acumulo no sentido de canalizar os impropérios que supostamente me trariam a gelidez, a frieza, a tratar a vida não como luta, mas como guerra. Assusta-me a dureza que defende suas cicatrizes. Rebocou carradas de pedra entre si e o mundo na vã hipótese de se isolar de tudo o que possa parecer violento em demasia à sua fraqueza.

É... ele tem fraqueza! A dependência na forçosa aparência de força é sua fraqueza. Não sente pena de si. Não sente nada... Ele enclausurou-se na festiva ilusão do EGO mundano, na deficiência jovial da cidade. Na fuga de natureza qualquer.

Eu sou fraco. Sou fraco quando me deixo tropeçar na acidez de seu sorriso e venho aqui requentar minhas lamúrias. A dor tem valência, mas o que regurgito são lamúrias... São porque são delas que nasce o diferencial. Minha raiva aquece minha mão e me fazem ferver as palavras pra que explodam em realização. Mas é valor de devir. É para o amanhã. Da minha fraqueza que nasce a riqueza. Valor de posteridade. Não me guardo pro agora. O "agora" já foi! Se perde à cada vírgula. Me maturo pro eterno, o que não tem fronteiras. Isso o mundo não me toma, como tomou dele! Meu transtorno é fruição de retorno. Às vezes é argüição do que há em torno... Mas é força de devir. É para o amanhã.

Minha raiva hoje, me imperializa entre os homônimos, entre os de diferença suprimida, o coro dos contentes. Minha raiva reacorda a escrita adormecida, que de pouco me irá servir funcionalmente neste mudo de razões práticas. Minha raiva adormece meu pragmatismo e transforma meu grunhido em palavras enfileiradas, para coroar que não sou o que meu pai pensa que sou. Não sou ele. Não sou da guerra, sou da luta, e a arte refuta qualquer possibilidade de falência hereditária.

Voltemos ao nosso silêncio intransigente!



----------

depois corrijo os erros de ortografia.