terça-feira, outubro 02, 2007


e somos pouco mais que nossas aspirações pelo encontro...
minha inclinação litorânea

Eu nasci no rio,
intrépido farsante de aguas barrentas.
Me fizeste no mar,
a imensidão lancinante que banha terras sedentas.

é assim que me reconheço vencido...
de prudência parca;
racionalização fraca;
intelectualmente aguerrido.

Se te fito, metafísica,
retorno às minhas profusões memorativas,
tento recobrar tua imagem em mim,
teu sorriso afim
a ferver minhas vertigens líricas

ao enumerar nossas incertezas
pouco me toma a erraticidade claudicante
Me vejo tudo menos estanque
ante à possibilidade real de sua gentileza

pendo às preocupações da distância,
aos meandro intermitentes
da distância que nos impôs a geografia,
contra qualquer ensejo de ânsia

E se a escuridão me fala
me lanço no precipício,
no interstício de nossa ausência de toque
na crença única de que teu sorriso me alimenta o coração

e pouco sei do que será
pouco sei de mim, lá...
não hei de saber
só sei que vou

pra poder ver o que de mim em ti restou...