segunda-feira, outubro 22, 2007


A Filha do Astrônomo

e do que há de nós

pouco posso dizer
te falar

mas te posso tocar com o mesmo olhar
de quando o sossego me ousaste roubar

Te olho e te vejo
como agraciar
vontade qualquer de te encontrar

e me zombas as cores
como mulher
me contornas as dores
como bem quer
em órbitas e constelações
siderais ilusões

onde seríamos um desejo fulgas
onde a distância não fosse tenaz

e te vejo acordar num sonho discreto
num amanhecer incompleto

tu, enorme esperança de tudo mudar
de teu sorriso nos contaminar

os homens austeros
sem glória sem amor
que os tocasse com um simples rubror

que desguiasses as casas
que nos fizesse transpor
como tiraste de mim a retidão
a mera ilusão
nas pétalas aureas
que te fizeram em mim uma nova paixão.