quinta-feira, agosto 24, 2006

Nordika

Ela andava dançando
Atravessava qualquer um
Inebriava com um assobio comum
As luzes desse encanto

Uma menina
Carregava um lenço
Lançava todos no alento
Tocava tudo com sua varinha

Sorria para destruir exércitos
Distribuía sonhos com beijos
Guardava os planos em seu leito
Me ensinou de certos méritos

Desbravou minha janela uma vez
Contaminou minha casa
Sentou no sofá da sala
Retorceu meu coração, talvez

Meu cachorro me pergunta dela
Por onde anda o vento que iluminou?
Quem era o pássaro que a contemplou?
Às vezes senta comigo ao pé da janela

Tomava leite para ser branca como luz
Tinha olhos coloridos de camaleão
Sabia bem de sua nobre emoção
Ressoava nos esquecidos cantos azuis

Quase a segurei em meu manto aquecido
Ela tomou o rumo do vento
Desfez-se nas árvores que invento
Retornou à casa de palha, o plurido

Mora onde o som não pode chegar
De onde tudo parte
Nem tanto quanto os de Marte
Bem depois de Gibraltar


Que Gaia não nos prive da solidão
Que a Força nos salve o coração...