domingo, dezembro 07, 2008


Envolto da revolta

Deixa tua paz bater
nos últimos nós do espartilho
que sufocam a voz
em grunidos contidos do que não quer dizer

deixo o porta-retrato nas tuas mãos
para seres estorvo de ti
dor sem paixão

lágrimas do passado
pra te debruçares no vão...
pra lamberes do chão
as ultimas gotas da taça quebrada
teu souvenir no leite derramado

Ensaio...
Caio no suspiro
viro as costas
volto da porta

Pra não te ver rolar na grama do vizinho
pra não ser companhia no choro de outro
no rosto borrado
no gole torpe da taça de vinho

volto da porta entre-aberta
com a cena engasgada
com tua ânsia de reunir os cacos
cortando minha pele